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Após a Artemis-2, a NASA altera o plano de regresso à Lua e prepara uma missão crucial para 2027.

Astronauta observa módulo lunar na superfície da lua através de janela de nave espacial.

«Artemis-3» vai testar o acoplamento com módulos de aterragem lunar, e a descida humana para a Lua passa para a fase seguinte do programa

A NASA concluiu «Artemis-2» - a primeira viagem tripulada em torno da Lua em mais de 50 anos - e já está a avançar para a etapa seguinte do programa lunar, que vai definir o calendário do regresso humano à superfície do satélite natural da Terra.

O veículo «Orion», com uma tripulação de quatro astronautas, amarou a 10 de abril ao largo de San Diego, depois de um voo de nove dias. A missão confirmou o funcionamento dos sistemas essenciais, incluindo a proteção térmica na reentrada na atmosfera a uma velocidade de cerca de 40 000 km/h e a temperaturas que chegaram aos 2760 °C. Estes dados serviram de base para planear as missões seguintes.

Artemis-3 e o teste de acoplamento em órbita

A atenção principal do programa passa agora para «Artemis-3». No início, esta missão era vista como a primeira aterragem humana na Lua desde «Apollo-17», mas em 2026 a NASA alterou-lhe a função. Em vez de pousar, «Artemis-3» será dedicada a uma etapa crítica: ensaiar o acoplamento do «Orion» com módulos de aterragem lunar em órbita da Terra.

Estão em causa dois sistemas: o Starship da SpaceX e o Blue Moon da Blue Origin. São eles que deverão levar os astronautas da órbita até à superfície da Lua nas missões seguintes. O lançamento de «Artemis-3» está previsto para meados de 2027. Esta mudança não retira importância à missão: sem um acoplamento bem-sucedido e sem a integração destes sistemas, a aterragem humana na Lua não será possível. Na prática, «Artemis-3» servirá de teste a toda a arquitetura do programa.

Se esta fase correr bem, a missão «Artemis-4», prevista para 2028, deverá marcar a primeira aterragem de astronautas na Lua em mais de meio século. A descida está planeada para a zona do polo sul - uma região vista como decisiva para uma presença de longa duração devido às possíveis reservas de gelo de água.

Em paralelo, a NASA já está a preparar o próximo lançamento. Os elementos do foguetão Space Launch System (SLS) encontram-se no Centro Espacial Kennedy, e os restantes componentes serão entregues em breve. Nos próximos meses, a agência também deverá anunciar a composição da tripulação de «Artemis-3».

No entanto, o programa enfrenta riscos técnicos significativos. Os módulos de aterragem continuam numa fase inicial de maturidade: o Blue Moon ainda não realizou testes de voo, enquanto o Starship completou 11 lançamentos suborbitais, dos quais apenas 2 são considerados totalmente bem-sucedidos. Além disso, o sistema de suporte de vida para missões tripuladas com base no Starship ainda não está concluído. Também o próprio «Orion» exige novos ajustes: durante «Artemis-2» foi detetada uma fuga de hélio no sistema de alimentação de combustível, e vários sistemas de bordo mostraram limitações em condições reais de voo.

Ao mesmo tempo, o programa decorre num contexto de debate sobre cortes no financiamento das áreas científicas da NASA e sobre a revisão das prioridades da agência. Especialistas referem que decisões deste tipo podem afetar o ritmo de preparação das futuras missões e o volume de investigação científica que acompanha os voos tripulados.

Ainda assim, na NASA sublinham que a missão «Artemis-2» cumpriu o seu objetivo principal - reduziu a incerteza antes das etapas seguintes. O programa entra agora numa fase em que o essencial já não são lançamentos isolados, mas a capacidade de juntar vários sistemas complexos numa infraestrutura operacional comum.

A longo prazo, o programa «Artemis» prevê criar uma presença humana sustentável na Lua no início da década de 2030. As futuras missões deverão não só garantir a aterragem, como também lançar as bases de uma base lunar, que servirá de etapa intermédia antes das expedições tripuladas a Marte.

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