Observações infravermelhas do JWST revelam uma possível rutura no disco associada ao nascimento de um planeta
O telescópio James Webb (JWST) divulgou uma imagem que mostra dois discos protoplanetários: Tau 042021 e Oph 163131. Estes objetos encontram-se a cerca de 450 e 480 anos-luz da Terra, nas constelações de Touro e de Ofiúco, respetivamente.
Os discos protoplanetários são compostos por material remanescente da formação das estrelas, que com o tempo pode transformar-se em planetesimais e, mais tarde, em sistemas planetários. O gás existente nestes discos vai-se dispersando gradualmente sob a ação da radiação estelar, enquanto corpos pequenos, como asteroides e corpos gelados, acabam por formar cinturões ou seguir as órbitas dos planetas.
As imagens foram obtidas com as câmaras NIRCam e MIRI do telescópio, que permitem observar discos vistos de perfil. Isso faz com que a luz da estrela seja parcialmente bloqueada pelo disco, ao mesmo tempo que o pó acima e abaixo dele fica iluminado pela luz refletida. Os dados infravermelhos ajudam os astrónomos a acompanhar a distribuição do pó e do gás nos discos, bem como a sua composição.
Nas imagens, as cores vermelha, laranja e verde representam diferentes moléculas - hidrogénio, monóxido de carbono e hidrocarbonetos aromáticos policíclicos -, além do tamanho das partículas de poeira. Além disso, os dados de observação do disco Oph 163131 obtidos pelo ALMA mostram uma rutura no disco interior, o que pode indicar a formação de um planeta que está a limpar de poeira a região à sua volta.
As observações do JWST foram realizadas no âmbito do programa global de observação General Observation (GO) №2562 Dust Settling and Grain Evolution in Edge-on Protoplanetary Disks. O estudo destes discos ajuda os astrónomos a compreender melhor os processos de formação e evolução do Sistema Solar, bem como dos exoplanetas, cujo número neste momento já chegou a 6153.
Os dados recolhidos pelo telescópio James Webb são complementados por observações na faixa ótica do telescópio Hubble e por dados de rádio do ALMA, o que permite obter uma visão mais completa da estrutura e da composição dos discos protoplanetários.
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