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Um cientista no fim do mundo tirou a única foto de um eclipse solar raríssimo.

Pessoa vestida com fato térmico laranja observa o sol através de uma câmara em paisagem nevada e edifícios ao fundo.

Na Estação Concordia, na Antártida, observaram um raro eclipse solar anular

Na remota base de investigação antártica «Concordia», uma equipa franco-italiana tornou-se no único grupo de pessoas na Terra que conseguiu ver, na sua forma completa, o raro eclipse solar anular. O fenómeno ocorreu a 17 de fevereiro de 2026 e só poderia ser observado em dois pontos habitados - a Concordia Research Station e a estação russa «Mirny». No entanto, em «Mirny» o céu ficou encoberto por nuvens nesse dia, pelo que a observação integral foi possível apenas para os cientistas da «Concordia».

A Concordia é uma das estações mais isoladas do planeta: situa-se a cerca de 1207 km da costa e a 3230 metros de altitude. No inverno, a temperatura desce em média até -50 °C, e ao longo do ano existem cerca de quatro meses em que o Sol não se eleva acima do horizonte. Apesar destas condições extremas, a base é utilizada para investigação científica nas áreas da atmosfera, da astronomia e da medicina espacial.

Um dos testemunhos do eclipse foi o cientista Andrea Traverso, que está na estação desde novembro de 2025. Segundo ele, a observação teve de ser feita a partir da janela de uma das torres cilíndricas da estação - encontrou um ponto que coincidía na perfeição com a trajetória do eclipse. Para evitar reflexos no vidro, o cientista simplesmente abriu a janela e começou a filmar o que se passava.

O maior obstáculo foi a ausência de equipamento preparado com antecedência para captar um eclipse solar. Traverso admitiu que não sabia que seria possível ver um eclipse anular precisamente a partir da «Concordia», por isso teve de improvisar. Encontrou na base folhas de filme que em tempos tinham sido usadas para observações solares e, com recurso a cartão e cola, montou um filtro artesanal para a câmara.

Foi graças a esta improvisação que conseguiu fazer uma série de fotografias, posteriormente publicadas pela Agência Espacial Europeia (ESA). Só depois do acontecimento se percebeu que mais ninguém na Terra tinha conseguido observar este eclipse desta forma - por isso, a imagem de Traverso acabou por ser, na prática, a única fotografia terrestre conhecida deste raro fenómeno astronómico.

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