Um novo modo de cálculo pretende precisamente atenuar esse efeito.
A partir da nova data de referência, 1 de setembro, entram em vigor melhorias visíveis no direito à pensão para as mães. A ideia central é simples: os períodos de educação dos filhos, as fases de trabalho a tempo parcial e as licenças parentais passam a pesar mais no cálculo, o que pode fazer subir de forma notória a pensão futura - sobretudo no caso de mulheres com rendimentos baixos ou irregulares.
Porque a maternidade tantas vezes reduz a pensão
Quem tem filhos, muitas vezes passa alguns anos sem trabalhar ou a fazê-lo com menos horas. O resultado são lacunas na carreira contributiva, menos descontos e médias salariais mais baixas. E isso empurra a pensão legal para baixo de forma bastante clara.
Por isso, muitas mulheres colocam sempre as mesmas questões: os meus anos de descontos chegam? Os filhos dão-me, de facto, algum benefício para a pensão? Posso sair mais cedo ou a penalização fica apenas menor? Em especial, as mães com empregos a tempo parcial ou com uma carreira profissional “fragmentada” enfrentam um labirinto de regras especiais.
Os direitos de pensão ligados à família devem compensar as desvantagens causadas pela educação dos filhos, pelo trabalho a tempo parcial e pelas interrupções no rendimento.
Esses direitos de natureza familiar dividem-se em três blocos: períodos adicionais por cada filho, suplementos na pensão e um novo modo de cálculo mais favorável para as mães a partir de 1 de setembro.
Meses adicionais na pensão por filhos e licença parental
O bloco mais importante são os períodos de seguro adicionais atribuídos por cada filho. Consoante o sistema, podem ser contabilizados vários trimestres extra por filho, que mais tarde influenciam tanto o valor da pensão como a idade a partir da qual é possível sair sem penalização.
A lógica é esta: pela nascença ou adoção, e pela educação nos primeiros anos de vida, são atribuídos aos pais períodos adicionais. Esses trimestres contam para a duração total da carreira contributiva, mas não são associados a um ano civil específico; somam-se por cima.
O que estes períodos extra trazem na prática
- Ajudam a atingir mais depressa o número exigido de meses de descontos.
- Reduzem possíveis penalizações numa reforma antecipada.
- Podem fazer a diferença em modelos de reforma antecipada, como a “longa carreira contributiva” ou a “pensão parcial”.
Um exemplo típico de cálculo: se para uma pensão completa sem penalização for exigido um determinado número de trimestres de seguro, dois filhos podem reduzir esse requisito em até 16 trimestres. Assim, quem trabalhou menos a tempo inteiro por causa dos filhos pode compensar parte dessa lacuna com os períodos por filho.
A partir de 1 de setembro há ainda mais uma melhoria: uma parte dos períodos por filho passará também a contar para o início antecipado com carreira contributiva especial (“longa vida laboral”). O mesmo vale para modelos de redução faseada da pensão, que já podem ser possíveis a partir dos 60 anos, desde que existam meses de descontos suficientes.
Mais dinheiro na conta: suplementos por número de filhos e cuidados
Além dos períodos adicionais de seguro, existem suplementos que aumentam diretamente o valor da pensão. O seu impacto sente-se sobretudo nas famílias maiores.
Quem tiver criado pelo menos três filhos recebe um suplemento de 10 por cento sobre a pensão em pagamento. Em muitos sistemas, isso aplica-se tanto à pensão base como a uma grande parte das pensões complementares.
A partir de três filhos, a pensão mensal aumenta normalmente em dez por cento - e esse bónus mantém-se para toda a vida.
Um exemplo numérico mostra bem o efeito: se a pensão mensal for de 1.800 euros, com o suplemento por filhos sobe 180 euros, para 1.980 euros. Em termos anuais, isso traduz-se num acréscimo superior a 2.000 euros. Ao longo de décadas, o impacto torna-se significativo.
Direitos especiais no caso de filhos com deficiência grave
O acompanhamento de um filho com deficiência grave também passa a contar mais para o cálculo da pensão. Se o grau de incapacidade for de, pelo menos, 80 por cento e houver direito a uma prestação especial de cuidados ou apoio, são acrescentados períodos de seguro adicionais.
No início dessa prestação é atribuído um trimestre; depois, acrescenta-se mais um trimestre por cada 30 meses de recebimento da prestação, até ao máximo de oito trimestres. Estes períodos juntam-se aos períodos normais de educação dos filhos e melhoram tanto a duração da carreira contributiva como o valor futuro da pensão.
Para as mães de um determinado ano de nascimento que atinjam o direito completo à pensão já um ano antes da idade normal da reforma e tenham pelo menos um trimestre por filho, existe ainda um incentivo extra: se continuarem voluntariamente a trabalhar, recebem 1,25 por cento de suplemento na pensão por cada trimestre adicional de trabalho, até um máximo de 5 por cento extra.
A grande alavanca a partir de 1 de setembro: menos anos maus na média
O cálculo da pensão baseia-se no rendimento médio dos melhores anos de atividade profissional. Até agora, normalmente entravam os 25 melhores anos. A partir de 1 de setembro, a regra muda a favor das mães.
Daqui em diante, para mães com um filho, a média passa a considerar apenas os 24 melhores anos. Com dois filhos ou mais, o número de anos relevantes desce ainda mais, para 23.
Anos de rendimentos fracos, com trabalho a tempo parcial ou empregos de poucas horas depois do nascimento, podem sair do cálculo - a média sobe e a pensão também.
Na prática, isto significa que um ou dois anos com rendimentos muito baixos - por exemplo, devido a licença parental, emprego de poucas horas ou regresso ao mercado de trabalho - deixam de entrar na conta. Como a média passa a ser feita apenas com 23 ou 24 anos, o rendimento anual de referência sobe. O direito à pensão cresce sem necessidade de pagar mais contribuições.
Exemplo: como funciona o novo modo de cálculo
Imaginemos uma mãe com dois filhos e 25 anos de carreira contributiva. Nos dois anos após os nascimentos, trabalhou apenas num emprego de tempo parcial mal pago. Até agora, os 25 anos entravam todos na média - e esses dois anos mais fracos puxavam o valor para baixo.
Com a nova regra, passam a contar apenas os 23 melhores anos. Os dois anos de trabalho a tempo parcial ficam fora do cálculo. Assim, o rendimento médio anual sobe de forma evidente. O efeito no valor da pensão pode situar-se, consoante o rendimento, na casa das dezenas de euros por mês ou mesmo na faixa baixa dos três dígitos.
Licença parental e cuidados em casa: nada deve ser desperdiçado
Aos períodos por filhos juntam-se muitas vezes direitos provenientes da licença parental e dos cuidados prestados em casa. Quem deixa totalmente de trabalhar durante mais tempo por causa de um filho pode receber, em muitos sistemas, uma contabilização de até três anos por filho; em caso de doenças graves ou deficiência, pode mesmo chegar a quatro anos.
Importa lembrar: estes períodos são comparados com os períodos clássicos de educação dos filhos. A caixa de pensões escolhe automaticamente a solução que gerar o direito mais elevado. Não existe dupla contagem, mas sim a alternativa mais vantajosa.
Há ainda outro elemento para os pais que ficam em casa sem exercer atividade profissional. Por cada ano, podem ser creditados até quatro trimestres adicionais com base num salário mínimo fictício. Estes períodos contam tanto para a duração total da carreira contributiva como para o cálculo médio do rendimento.
- Licença parental: possibilidade de contabilização de vários anos por filho
- Doença grave ou deficiência do filho: contabilização prolongada
- Participação em cuidados prestados em casa: contribuições fictícias com base no salário mínimo
- Comparação automática entre as variantes - vale a solução mais favorável
O que as mães devem fazer agora, concretamente
Quem quiser beneficiar das novas regras não deve esperar até receber o primeiro aviso de pensão. Vale a pena consultar a própria conta de carreira contributiva.
- Pedir o histórico contributivo atual e confirmar se todos os filhos estão registados.
- Comunicar períodos em falta de educação dos filhos ou de licença parental, reunindo a documentação necessária.
- Mandar calcular se será possível sair mais cedo com base numa carreira contributiva longa.
- Avaliar se compensa trabalhar mais tempo a direito completo por causa dos suplementos.
| Número de filhos | Anos considerados para o cálculo da pensão a partir de 1.9. | Efeito adicional |
|---|---|---|
| 0 | 25 melhores anos | sem alteração |
| 1 | 24 melhores anos | pode deixar de contar um ano com rendimentos baixos |
| 2 ou mais | 23 melhores anos | podem sair do cálculo até dois anos fracos |
Contexto: porque é que o Estado dá mais peso às mães
A reforma responde a uma antiga lacuna de justiça. As mulheres continuam a assumir a maior parte dos cuidados com os filhos, trabalham mais frequentemente a tempo parcial e, em média, ganham menos. No sistema de pensões, isso pesa duas vezes: menos anos de descontos e valores mais baixos em cada ano.
Os direitos ligados à família pretendem precisamente suavizar essa desvantagem. Ao dar mais peso aos períodos por filhos, às licenças parentais e aos cuidados prestados em casa, pretende-se reduzir a falha de proteção na velhice. Ao mesmo tempo, os suplementos para famílias numerosas e para o cuidado de filhos com deficiência grave transmitem um sinal claro de reconhecimento.
O que as mães também devem ter presente
As novas regras trazem vantagens reais, mas não substituem a poupança para a reforma. Quem trabalhar permanentemente apenas em empregos de poucas horas ou só entrar no mercado de trabalho mais tarde continua dependente de uma pensão base baixa, apesar de todos os suplementos. Por isso, a poupança privada ou profissional continua a ser um segundo pilar.
Também ajuda conhecer de forma geral alguns termos técnicos: a “carreira contributiva” refere-se a todos os trimestres contabilizados, incluindo os períodos por filhos e licença parental. O “cálculo da média” baseia-se apenas nos melhores anos com pontos de rendimento. A reforma atua precisamente aqui e permite às mães excluir mais anos fracos do cálculo.
Quem tratar agora dos documentos a tempo e esclarecer os períodos em falta pode aproveitar o arranque de 1 de setembro como uma oportunidade. Para muitas mães, o novo modo de cálculo significa menos receio da pobreza na velhice e um pouco mais de margem financeira na reforma.
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