À medida que envelhecemos, é habitual contar com menos força, uma memória mais fraca e uma capacidade de desempenho em queda. Foi precisamente essa imagem que, durante anos, dominou programas de debate, conversas de café e até parte da medicina. Agora, uma nova análise de um grande estudo longitudinal norte-americano põe essa visão seriamente em causa - e sugere que envelhecer é muito mais diverso do que pensamos, dependendo também em grande medida da forma como encaramos o nosso próprio envelhecimento.
Estudo com mais de 11.000 seniores abala o mito da idade
A base da nova análise é o conhecido Health and Retirement Study, realizado nos Estados Unidos. Há anos que acompanha dezenas de milhares de pessoas a partir dos 50 anos, recolhe dados sobre saúde, rendimento, escolaridade e estilo de vida e é considerada uma das fontes mais importantes da investigação sobre o envelhecimento.
Para os dados agora analisados, os investigadores observaram mais de 11.000 pessoas com mais de 65 anos. O período de acompanhamento chegou a doze anos. Em intervalos regulares, foram avaliadas duas áreas centrais:
- capacidade cognitiva (por exemplo, testes de memória e de atenção)
- função física (sobretudo velocidade da marcha e mobilidade)
É precisamente nestes domínios que muita gente espera apenas uma coisa: uma descida contínua. Os resultados contam outra história.
Quase metade melhora na velhice - a nível cognitivo ou físico
Os números lêem-se como uma pequena revolução na forma de ver a idade:
- 45 por cento das pessoas analisadas melhoraram ao longo dos anos em pelo menos uma área - cognitiva ou física.
- 32 por cento aumentaram o seu desempenho cognitivo.
- 28 por cento melhoraram a sua função física, medida, entre outros aspetos, pela velocidade da marcha.
Quase uma em cada duas pessoas em idade avançada não piorou num domínio central, mas melhorou de forma mensurável.
Na geriatria, a velocidade da marcha é vista como uma espécie de “sinal vital”. Quem consegue andar mais depressa e com mais segurança tem, em regra, um risco menor de incapacidades posteriores, internamentos hospitalares ou morte prematura. Há ainda outro ponto importante: mais de metade dos participantes conseguiu manter as suas capacidades mentais ao longo dos anos ou até melhorá-las.
Por outras palavras: a tão citada “espiral de declínio mental inevitável” não surgiu, de forma tão generalizada, neste grande grupo.
Porque é que as médias nos enganam
Como se explica isto quando tantos estudos mostram uma quebra clara do desempenho com a idade? Uma das razões está na forma como os dados são analisados. Muitas vezes, os investigadores olham apenas para valores médios em grupos muito alargados. Nesse caso, a curva desce com os anos - o que é estatisticamente correto, mas incompleto.
Nesta análise recente, os trajetos individuais de cada pessoa foram acompanhados com maior detalhe. O resultado mostra um quadro muito fragmentado:
- uma parte das pessoas piora de facto de forma acentuada;
- uma grande parte mantém-se estável ao longo de anos;
- uma percentagem surpreendentemente elevada melhora em áreas importantes.
Quem olha apenas para as médias vê apenas a tendência descendente - e ignora todos os que se mantêm estáveis ou até progridem. Numa sociedade em que cada vez mais pessoas chegam aos 80, 90 anos ou mais, esta perspetiva diferenciada é decisiva.
Atitude positiva perante a idade como possível “impulsionador” no envelhecimento
O mais interessante: o estudo encontrou uma ligação clara entre a
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