Saltar para o conteúdo

Formigas no jardim: as plantas que as atraem e as que as afastam

Pessoa a apanhar groselhas vermelhas num vaso de jardim com plantas e ferramentas ao redor.

Espalhas granulado, colocas armadilhas, regas com água e vinagre - e, mesmo assim, as formigas continuam a desfilar pelos canteiros e por cima das lajes da varanda. Muitas vezes, o problema não está no isco errado, mas sim no plano de plantas: há espécies que, para as formigas, funcionam como um buffet sempre disponível.

Porque é que as formigas começam, de repente, a aparecer por todo o jardim

Ver formigas não significa, por si só, que o jardim está “mal cuidado”. Aliás, onde há muita vegetação e floração, elas encontram com facilidade alimento e locais seguros para fazer ninho. O incómodo começa quando se instalam em grande número, escavam o relvado por baixo ou passam do exterior para dentro de casa.

A chave para perceber o fenómeno está na comida. As formigas procuram continuamente açúcar, proteína e gordura - e muitas plantas populares no jardim fornecem isso, direta ou indiretamente.

"Ao plantares certas espécies, acabas muitas vezes por montar, sem dares conta, um ponto de alimentação all‑inclusive para formigas - com reposição durante toda a época."

Os “ímans” discretos de formigas no canteiro

1. Os pulgões como principal causa - e o que as roseiras têm a ver com isso

O maior atrativo de formigas no jardim nem sequer é uma planta, mas sim um inseto minúsculo: o pulgão. Instala-se em rebentos e folhas, suga a seiva e excreta um líquido açucarado, a chamada melada. É exatamente isso que as formigas procuram.

Elas “ordenham” os pulgões, chegam mesmo a defendê-los de predadores como as joaninhas e, com isso, ajudam a que a praga se espalhe ainda mais. Há plantas que são atacadas com especial frequência por pulgões - e, por consequência, tornam-se um convite direto para as formigas:

  • Roseiras: um clássico em jardins da frente, mas muito vulnerável a colónias de pulgões em rebentos novos e botões.
  • Árvores de fruto jovens: sobretudo os rebentos macios e recentes de macieiras, ameixeiras, cerejeiras e pessegueiros são frequentemente atacados.
  • Herbáceas delicadas e flores de verão: por exemplo, delfínios, dálias ou capuchinhas.

Se gostas de roseiras e de fruteiras jovens, é fácil acabares com um trilho de formigas a atravessar o canteiro - não porque elas “adorem” a planta em si, mas porque lá está o seu “gado leiteiro”.

2. Árvores de fruto como fonte de açúcar

As fruteiras atraem formigas por duas vias: por causa dos pulgões e também devido à seiva doce e à fruta demasiado madura.

Costuma notar-se mais em:

  • Macieiras: pequenas fissuras na casca ou zonas danificadas libertam seiva açucarada - um verdadeiro banquete.
  • Ameixeiras e árvores de ameixa seca: frutos maduros ou rachados deixam escorrer sumo, e a fruta caída muitas vezes fica no chão - tudo carregado de açúcar.
  • Pereiras: o mesmo padrão das macieiras, sobretudo em variedades que amadurecem bastante.

Quando a fruta caída fica muito tempo debaixo da árvore, o efeito aumenta muito. As formigas não encontram apenas açúcar: aparecem também outros insetos e fontes de proteína.

3. Arbustos de bagas: cenário idílico com efeito secundário

Ter bagas no quintal é ótimo - para crianças, para aves e também para formigas. Em alguns arbustos, a atividade é particularmente evidente:

  • Framboeseiros: frutos macios e doces que rapidamente se esmagam e caem.
  • Groselheiras: bagas que caem e restos da colheita deixam manchas ricas em frutose.
  • Groselheiras-espinhosas: frutos maduros que rebentam atraem formigas com intensidade.

Entre restos de fruta antigos, cobertura morta (mulch) e solo ligeiramente húmido, as formigas encontram condições ideais: abrigo, alimento e espaço suficiente para um ninho grande.

Quando é que as formigas no jardim se tornam mesmo um problema

Algumas formigas no canteiro são normais e, muitas vezes, até úteis: ajudam a remover insetos mortos e a soltar o solo. Só faz sentido intervir em situações específicas:

  • Quando escavam tanto o relvado que este fica oco e acaba por ceder.
  • Quando lajes da varanda ou caminhos ficam instáveis devido a galerias subterrâneas.
  • Quando entram em casa pela fachada ou por portas da varanda/terraço.
  • Quando “protegem” pulgões de tal forma que as plantas ficam visivelmente debilitadas.

Nestes casos, pouco adianta atuar apenas “contra as formigas”. Se ignorares a oferta de alimento, estás a combater sintomas - não a causa.

Plantas que as formigas tendem a evitar

Felizmente, também existem plantas de que as formigas não gostam. Algumas encaixam na perfeição na horta de aromáticas ou ao longo do perímetro da varanda e, de quebra, ainda são úteis na cozinha.

"Algumas ervas aromáticas, com os seus óleos essenciais, baralham os rastos de cheiro das formigas e desorientam o seu sistema de navegação."

1. Aromáticas de cheiro intenso como barreira natural

Os melhores candidatos são, em regra, plantas muito perfumadas:

  • Tomilho: contém substâncias que funcionam como um verdadeiro repelente para formigas.
  • Hortelã: aroma forte que mascara os sinais atrativos de outras plantas.
  • Lavanda: agrada a muitos insetos, mas tende a ser evitada por formigas.

Ao colocares estas aromáticas nos pontos críticos - por exemplo, no limite da varanda ou ao longo de passagens - consegues interromper trilhos. E, no canteiro, plantadas entre roseiras, podem formar uma espécie de “cinturão” aromático.

2. Losna, tanaceto e companhia: amargo em vez de doce

Além das ervas de cozinha, há plantas silvestres e medicinais cujo cheiro também afasta formigas. Um exemplo é o tanaceto, com aroma marcante e efeito dissuasor sobre vários insetos. Estas plantas resultam bem no fundo dos canteiros ou como bordadura junto a vedações.

Como orientar as formigas com a escolha de plantas

Com algum planeamento, dá para conduzir a população de formigas no jardim em vez de tentar exterminá-la por completo com químicos. A estratégia funciona melhor combinando zonas de atração com zonas de dissuasão.

  • Definir uma zona de “atração”: num canto mais afastado da casa, deixar uma área com fruteira, arbustos de bagas e pouca perturbação. Aí, as formigas podem “trabalhar”.
  • Tornar a zona junto à casa pouco apelativa: perto da varanda, caminhos e entradas, apostar em aromáticas de cheiro intenso.
  • Controlar pulgões: vigiar regularmente roseiras e fruteiras jovens e, em caso de ataque forte, agir a tempo (lavar com jato de água, incentivar auxiliares naturais).
  • Remover fruta caída: limpar com frequência debaixo das fruteiras e não deixar frutos a apodrecer no chão.

Quando as formigas têm uma área aceitável com alimento e abrigo, muitas vezes deixam de procurar novos percursos para dentro de casa.

Dicas práticas para travar trilhos de formigas junto à casa e à varanda

Se já abriram caminho até à casa, para além das plantas, há medidas simples do dia a dia que ajudam:

  • Verificar fendas e juntas em portas, janelas e vedações/isolamentos da varanda e vedar o que for necessário.
  • Retirar rapidamente restos de comida no exterior e limpar de imediato manchas pegajosas de bebidas.
  • Não guardar resíduos de cozinha abertos ao lado da varanda.
  • No verão, evitar comedouros de aves ao nível do chão encostados à casa.

Combinando estas ações com ervas aromáticas fortes no bordo da varanda, reduces a probabilidade de as formigas estabelecerem um “posto fixo” dentro de casa.

Até que ponto é que as formigas prejudicam mesmo as minhas plantas?

É normal que muitos proprietários se inquietem ao ver montículos grandes. Na maioria dos casos, porém, as formigas não atacam as plantas diretamente. O problema real são as colónias de pulgões que elas favorecem: os pulgões sugam a planta, deformam folhas e travam o crescimento.

Por isso, quando parece que “as formigas estão a destruir as roseiras”, o que está a acontecer é, na verdade, um efeito combinado: muitos pulgões, protegidos e incentivados por formigas. Assim que os pulgões diminuem, aquele local perde grande parte do interesse para as formigas.

Uma abordagem realista às formigas no jardim

Nenhum jardim fica totalmente sem formigas - e isso nem seria desejável. Elas fazem parte do equilíbrio natural, ajudam a decompor matéria orgânica e servem de alimento a outros animais. O que importa é onde aparecem e em que intensidade.

Se, ao escolher plantas, tiveres presente quais as espécies que atraem formigas, consegues planear de forma consciente: fruteiras, bagas e canteiros ricos em roseiras mais afastados da casa; pelo meio e nas margens, aromáticas de cheiro intenso. Junta-lhe atenção aos pulgões - e a probabilidade aumenta de a próxima colónia preferir instalar-se no fundo do jardim, em vez de marchar pela tua cozinha.


Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário