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RTAF selecciona o Barak MX da IAI para reforçar a defesa aérea da Tailândia

Dois militares com fones de comunicação operam equipamento militar ao ar livre, com aviões e bandeira ao fundo.

A Força Aérea Real da Tailândia (RTAF) escolheu o sistema de defesa aérea e antimíssil Barak MX, desenvolvido pela Israel Aerospace Industries (IAI), no âmbito do seu esforço para reforçar a protecção de bases e de activos estratégicos. A decisão foi confirmada pelo Departamento de Logística da RTAF num aviso divulgado no final de novembro e prevê uma aquisição inicial de uma bateria, num montante de THB 3,4 mil milhões (cerca de USD 107 milhões).

Progresso no programa de Defesa de Bases

A compra do Barak MX insere-se no Projecto de Desenvolvimento da Defesa de Bases Militares, um plano definido no livro branco da RTAF de junho de 2025. Nesse documento, ficou estabelecida a necessidade de introduzir, antes de 2028, um sistema terrestre de defesa aérea com capacidade para empregar mísseis superfície-ar com um alcance mínimo de 30 milhas náuticas (aproximadamente 56 quilómetros).

Apresentado pela IAI em 2018, o Barak MX é um sistema modular e escalável que reúne sensores, lançadores e mísseis numa arquitectura única. De acordo com a empresa, o sistema pode operar com três interceptores principais:

  • Barak MR, com alcance máximo de 35 km.
  • Barak LR, com alcance de 70 km.
  • Barak ER, com alcance de 150 km.

O pacote adquirido pela Tailândia prevê, numa primeira fase, a integração de uma bateria completa, constituindo o ponto de partida para aumentar a cobertura e a redundância da defesa aérea em torno de infra-estruturas críticas.

Um reforço estratégico num contexto de tensão regional

O reforço da defesa aérea surge num cenário de crescente tensão entre a Tailândia e o Camboja. Em julho, os dois países envolveram-se em confrontos na zona fronteiriça, o que intensificou as preocupações relativamente à segurança das bases aéreas tailandesas.

Embora breve, o episódio foi intenso e incluiu o uso de artilharia por parte do Camboja, recorrendo a sistemas de lançamento múltiplo de foguetes de 122 mm, como os BM-21 Grad, RM-70 e o Type 90B de origem chinesa. A RTAF salientou que estes ataques evidenciaram a necessidade de dispor de sistemas modernos capazes de interceptar ameaças tanto aéreas como de mísseis.

Escalada aérea em julho: ataques e destacamento de caças

No decorrer dos confrontos, a Tailândia voltou a empregar aeronaves de combate para realizar ataques directos contra alvos militares cambojanos - algo que não acontecia há mais de uma década. Segundo informação oficial, foram destacados seis caças F-16 Fighting Falcon, tendo um deles efectuado um ataque de precisão na região de Ta Moan Thom. Banguecoque descreveu a acção como um “ataque de precisão”, enquanto o Camboja a classificou como uma “agressão militar premeditada”.

Imagens divulgadas posteriormente indicaram que parte dos F-16 tailandeses estava armada com bombas Mark 82 equipadas com kits de guiamento Lizard III. Analistas referiram que estas operações evidenciaram a capacidade da RTAF para projectar poder aéreo em áreas de crise e a disponibilidade do governo para recorrer ao componente aéreo num ambiente de escalada regional.

Nos dias seguintes, a situação manteve-se, com novas acções aéreas tailandesas. Numa operação registada a 26 de julho sobre Phu Ma Kua, participaram dois F-16 e dois JAS 39 Gripen, que atacaram posições cambojanas após relatórios de inteligência. Verificou-se ainda outro ataque contra o templo Ta Muen Thom, onde tinham sido identificadas posições de artilharia. Ambas as missões terminaram sem perdas para a RTAF.

Um sistema alinhado com as prioridades estratégicas da Tailândia

A integração do Barak MX é apresentada como uma resposta directa às necessidades reveladas durante este período de tensão. Ao concentrar, num único sistema, capacidades de intercepção de curto, médio e longo alcance, a RTAF pretende reforçar a protecção das suas bases face a ameaças como foguetes, artilharia, aeronaves e mísseis.

A selecção do sistema israelita assinala também o arranque de um ciclo de modernização da defesa aérea terrestre tailandesa, que poderá ser expandido nos próximos anos à medida que avance o programa oficial de protecção das infra-estruturas militares.

Imagens meramente ilustrativas.


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