Programa PEGASUS e objectivos
Com a aterragem do primeiro aparelho na cidade de Hamburgo, o programa PEGASUS de aeronaves de inteligência de sinais (SIGINT) da Força Aérea da Alemanha (Luftwaffe) atingiu um novo patamar. Este avião - um Bombardier Global 6500 - é o primeiro de três exemplares encomendados pelas Forças Armadas alemãs (Bundeswehr) para executar missões de recolha de informações de sinais.
Conhecido oficialmente como PEGASUS (Persistent German Airborne Surveillance System), o projecto lançado pelo Governo alemão em 2021 procura dotar a Luftwaffe de uma nova plataforma aerotransportada dedicada à inteligência de sinais. Em linha com a tendência internacional neste sector, o plano passa por adquirir três jactos executivos comerciais fornecidos pela Bombardier e, depois, submetê-los a trabalhos de conversão, instalação e integração de equipamentos altamente especializados para desempenhar esta função crítica.
Para concretizar estes objectivos, o PEGASUS junta algumas das empresas mais relevantes da aviação civil e militar, incluindo fornecedores de suites de aviônica e sensores. Entre os intervenientes com maior destaque, a nível nacional e internacional, encontram-se a HENSOLDT, a Lufthansa Technik Defense e a Bombardier Defense.
Chegada do primeiro Bombardier Global 6500 a Hamburgo
No caso do primeiro avião já em território alemão, trata-se precisamente do exemplar inaugural do programa: um Bombardier Global 6500 que iniciou os seus voos de ensaio e certificação durante o mês de Outubro de 2024. Identificado com a matrícula N637HN, o jacto chegou a Hamburgo no passado dia 4 de Dezembro, sendo recebido nas instalações da Lufthansa Technik Defense, onde prosseguirá para a etapa seguinte da sua transformação numa plataforma SIGINT.
Sobre este marco, Juergen Halder, vice-presidente de Airborne SIGINT da HENSOLDT, declarou: “Esta entrega marca um passo decisivo rumo à capacidade operacional”, acrescentando ainda: “Com a chegada do primeiro avião a Hamburgo, entramos na fase crucial de integração e qualificação do sistema. Juntamente com nossos parceiros, passamos agora do projeto e dos testes para a implementação completa, dando vida à próxima geração de inteligência aerotransportada.”
Conversão SIGINT, sistema Kalaetron e eventual expansão
Quanto às intervenções previstas para os próximos meses nesta aeronave, destaca-se a instalação de sistemas de sensores e de missão específicos, assentes no sistema Kalaetron da HENSOLDT. Caberá igualmente à Lufthansa Technik Defense assegurar os procedimentos necessários para obter a certificação militar e civil da plataforma.
A este propósito, Michael von Puttkamer, vice-presidente de Serviços de Aeronaves Especiais da Lufthansa Technik, afirmou: “Ver a aeronave PEGASUS retornar a Hamburgo para seu importante próximo capítulo é um momento de orgulho para nossas equipes”. E sublinhou: “Este marco assinala o início de uma nova e empolgante fase, na qual reuniremos tecnologia, artesanato e experiência em aeronaves de missão especial para entregar uma das plataformas de inteligência aerotransportada mais avançadas já construídas.”
Por fim, e tal como foi noticiado há semanas, apesar de o programa PEGASUS prever, por agora, a aquisição e conversão SIGINT de três aeronaves Bombardier, o Governo alemão tem vindo a estudar a possibilidade de alargar o seu alcance com meios adicionais. Embora a decisão permaneça em análise - exigindo ponderação quanto à viabilidade e aos recursos necessários - Berlim indicou que uma expansão poderá incluir a compra de entre três e seis plataformas SIGINT adicionais, sustentada pelas lições recolhidas e pelas medidas tomadas a partir da experiência operacional das Forças Armadas Ucranianas.
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