Novas imagens de satélite voltam a colocar o futuro porta-aviões chinês no radar. Ainda não há confirmação oficial sobre se o navio será movido a energia nuclear, mas o material divulgado indica que a China continua a avançar na construção do seu quarto porta-aviões para a Marinha do Exército de Libertação Popular, actualmente conhecido como Tipo 004 e apontado como o maior a entrar ao serviço na força. Segundo a descrição que acompanha as imagens, os trabalhos decorrem nos estaleiros de Dalian, onde também se observa que uma parte significativa da quilha já foi assentada.
Apesar do secretismo que envolve o projecto e a construção, as primeiras estimativas citadas por analistas ocidentais apontam para um porta-aviões com um deslocamento entre 100.000 e 120.000 toneladas. Isto colocá-lo-ia praticamente ao nível da classe Gerald R. Ford da Marinha dos EUA e acima do Fujian, o porta-aviões mais recente actualmente ao serviço na marinha chinesa. Espera-se ainda que o desenho incorpore lições aprendidas com o Fujian, facilitando a integração de sistemas de catapultas electromagnéticas no convés de voo e deixando definitivamente para trás a configuração de rampa (ski-jump) usada nos porta-aviões Liaoning e Shandong.
Este ponto é particularmente relevante, uma vez que se prevê que o navio opere uma ala aérea embarcada considerável. Entre os principais meios estariam os caças J-15T (derivados do Flanker russo) e a variante J-15D optimizada para guerra electrónica, bem como os mais modernos e discretos J-35 desenvolvidos pela China. Além disso, é esperado que o porta-aviões consiga operar o novo KJ-600 de alerta aéreo antecipado e controlo, ampliando de forma significativa o leque de capacidades operacionais.
Voltando à questão da propulsão nuclear, importa notar que esta hipótese tem sido debatida há meses em relatórios de analistas chineses e ocidentais, embora as imagens agora publicadas ainda não permitam concluir com clareza se essa opção será efectivamente adoptada. Se a intenção de Pequim for dar esse salto com o Tipo 004, existe também a possibilidade de uma abordagem gradual, em que o navio receba inicialmente um sistema de propulsão convencional, servindo de ponte até estar concluído o desenvolvimento de um reactor adequado.
Independentemente destes detalhes técnicos, a realidade é que os avanços chineses na construção de porta-aviões já suscitaram preocupação no seu principal rival geopolítico. Como foi noticiado em Dezembro passado, um relatório do U.S. Naval Institute indicava que Pequim estaria no caminho para construir uma frota de nove porta-aviões até 2035. Isto garantiria uma forte capacidade de projecção de poder no Indo-Pacífico e noutras regiões estrategicamente relevantes, sobretudo quando combinada com o desenvolvimento dos novos navios de assalto anfíbio Tipo 076, cujo desenho permitirá o emprego de um número significativo de drones complementares.
Imagens usadas para fins ilustrativos.
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