Saltar para o conteúdo

Este aparelho de cozinha gasta tanta eletricidade como 65 frigoríficos no total

Homem a verificar receita enquanto cozinha no forno na cozinha moderna com luz natural.

O “devorador” de eletricidade escondido no forno

Na bancada, entre a chaleira elétrica, a máquina de café e o frigorífico, passa por um eletrodoméstico banal. Mas, no momento em que começa a aquecer, comporta-se como um verdadeiro “monstro” de potência - quase como se fosse equipamento de uso profissional. Se o objetivo é baixar a fatura da luz, faz sentido começar precisamente aqui, num ponto que a maioria das casas raramente analisa.

Falamos do forno elétrico. Está presente em quase todas as cozinhas, faz parte do equipamento base - e, ainda assim, é um dos consumos mais subestimados de toda a casa.

Um único forno pode, por momentos, puxar tanta potência como até 65 frigoríficos ao mesmo tempo.

Como é que se chega a um número tão grande? A explicação está na forma como o aparelho funciona: um forno tem de aquecer rapidamente o ar e tudo o que está lá dentro, e depois manter essa temperatura. Isso exige muita potência.

Porque é que o forno puxa muito mais do que o frigorífico

Um forno elétrico doméstico costuma ter uma potência instalada entre 2.000 e 5.000 watts. Modelos mais recentes com pré-aquecimento rápido ou função de pirólise podem encostar ao topo desse intervalo - ou até ultrapassá-lo.

Um frigorífico típico, por outro lado, anda geralmente entre cerca de 300 e 800 watts. E mesmo esse valor não é contínuo: só aparece em picos, quando o compressor entra em funcionamento. No resto do tempo, trabalha com carga reduzida.

Se fizermos as contas por alto, percebe-se a comparação: quando o forno está a aquecer no máximo, o apetite energético dele pode equivaler, por instantes, ao total de dezenas de frigoríficos - daí o paralelo com até 65 aparelhos.

Olhando para o mês: o impacto real do forno

A escala fica ainda mais evidente no consumo mensal. Dependendo de:

  • frequência com que se usa o forno
  • duração de cada utilização
  • temperatura escolhida
  • e tipo de forno

um forno elétrico pode consumir, por mês, entre cerca de 40 e 90 quilowatt-hora. Para muitas casas, isto representa uma fatia surpreendentemente grande do consumo total.

Num estudo com 100 agregados familiares na Califórnia, verificou-se que, em alguns casos, o forno chegou a representar até 26% do consumo anual total de eletricidade. Ou seja: ficou bem acima do frigorífico, apesar de este estar ligado 24 horas por dia.

O forno é o gigante silencioso dos eletrodomésticos - quase ninguém se apercebe do quanto ele realmente custa.

Fatores que aumentam o consumo do seu forno

Nem todos os fornos pesam da mesma forma na conta. Vários aspetos determinam quanto lhe custa, na prática, cada tabuleiro que vai ao forno.

Fator Impacto no consumo
Potência (watts) Quanto maior a potência, mais eletricidade por minuto de funcionamento
Tamanho da cavidade Fornos maiores têm de aquecer mais ar e mais material
Isolamento Vedação e isolamento fracos deixam escapar calor, as resistências ligam mais vezes
Tempo de utilização Assados longos e menus com vários pratos acumulam consumo
Idade do aparelho Resistências antigas tendem a ser menos eficientes, o aquecimento demora mais

Um forno de encastre pequeno e bem isolado, usado uma ou duas vezes por semana e por pouco tempo, pesa muito menos na fatura do que um modelo grande, usado quase todos os dias para assados, pizzas e gratinados.

Quatro hábitos simples para reduzir já o consumo do forno

A boa notícia: não precisa de cortar nas receitas de que gosta nem de comprar um forno novo de imediato. Pequenas mudanças de rotina na cozinha já fazem notar a diferença no consumo.

1. Desligar o forno mais cedo

Se desligar o forno cinco a dez minutos antes do fim do tempo de cozedura, aproveita melhor o calor residual. A comida acaba de cozinhar mesmo com as resistências desligadas. A eletricidade deixa de ser consumida, mas a temperatura mantém-se suficientemente alta.

2. Abrir a porta do forno o mínimo possível

Cada “espreitadela” com a porta bem aberta custa energia. Ao sair o ar quente, perde-se parte do calor que demorou a criar. Depois, o forno tem de voltar a aquecer para recuperar a temperatura definida.

Melhor: vigiar pelo vidro, respeitar o tempo de cozedura e, se necessário, usar um termómetro de forno que fique no interior.

3. Usar as formas certas

Tabuleiros escuros e pesados ou formas de ferro fundido aquecem depressa e retêm o calor durante mais tempo. Isso acelera a cozedura e pode reduzir o tempo necessário.

  • Tabuleiros escuros para pizza, tarte flambée e pão
  • Formas mais pesadas para gratinados e lasanha
  • Caçarola de ferro fundido para assados em vez de tabuleiros de parede fina

Formas claras e leves refletem parte do calor, o que obriga o forno a trabalhar mais tempo.

4. Evitar o consumo em standby

Muitos fornos modernos têm ecrãs, relógios eletrónicos ou funções inteligentes. Alguns modelos continuam a consumir eletricidade de forma constante em standby.

Se for possível desligar completamente o forno através de um interruptor ou de uma extensão com interruptor, essa carga permanente desaparece. Ao longo do ano, isso pode somar alguns quilowatt-hora poupados.

Alguns gestos consistentes na cozinha poupam mais eletricidade do que muita gente consegue apenas trocando lâmpadas por LED.

Como o forno se compara a outros eletrodomésticos

Muita gente pensa primeiro na máquina de secar roupa ou no ar condicionado quando o tema é consumo elevado. Vale a pena pôr os valores em perspetiva.

Secador vs. forno

Uma máquina de secar roupa funciona, tipicamente, com cerca de 4.000 a 5.000 watts - ou seja, na mesma “liga” de um forno. A grande diferença é que o secador costuma trabalhar em ciclos bem definidos, muitas vezes apenas uma ou duas vezes por semana.

O forno entra frequentemente em ação de forma espontânea: uma pizza congelada rápida, aquecer pão, preparar um gratinado. Estas utilizações repetidas, por vezes dispensáveis, tornam-no caro ao longo do tempo.

Frigorífico: funcionamento contínuo, mas com pouca potência

O frigorífico está sempre ligado, mas com potência bastante mais baixa. Beneficia de paredes bem isoladas e precisa sobretudo de manter a temperatura, não de gerar calor elevado constantemente. No fim do ano, o forno pode sair bem mais caro, apesar de funcionar durante menos horas.

Quando compensa trocar de forno

Quem tem um forno muito antigo deve avaliar se a substituição faz sentido. Equipamentos mais velhos costumam ter isolamento pior e resistências mais lentas. Demoram mais a aquecer e perdem calor com maior facilidade.

Um forno moderno e eficiente, com bom isolamento, função de ventilação (convecção) e controlo de temperatura mais preciso, reduz o consumo de forma visível. O preço de compra mais alto acaba por se diluir ao longo dos anos em faturas de eletricidade mais baixas.

Também ajuda olhar para os próprios hábitos. Quem usa o forno quase diariamente para assar ou cozinhar lentamente beneficia mais de um aparelho económico do que alguém que só faz um bolo ao fim de semana.

Dicas práticas para poupar no dia a dia

Alguns truques extra fazem diferença sem mexer no prazer de comer bem:

  • Usar ventilação (convecção) em vez de calor superior/inferior - normalmente basta reduzir cerca de 20 graus na temperatura
  • Colocar o tabuleiro ao centro, para o ar circular melhor
  • Pré-aquecer apenas quando a receita realmente exige (por exemplo, em pastelaria mais delicada)
  • Assar vários pratos seguidos enquanto o forno já está quente
  • Para porções pequenas, optar sempre que possível por forno tostador, fritadeira de ar quente ou micro-ondas

Quem aplica estes pontos com consistência consegue muitas vezes reduzir o consumo do forno em percentagens de dois dígitos - sem perder conforto.

Porque vale a pena olhar para aparelhos específicos

Muitas casas, quando falam em poupar energia, focam-se quase automaticamente em lâmpadas LED ou em desligar as luzes com mais rigor. Ajuda, mas muitas vezes não atinge os maiores “puxadores” de consumo.

O forno é um desses aparelhos que raramente levantam suspeitas, precisamente por parecerem tão normais. Por isso, compensa analisar tempo de utilização, temperatura e características do equipamento. Ao ajustar estes pontos, poupa mês após mês - e nota a diferença na conta no fim do ano.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário