Há cidades que não se contentam com um papel secundário - e Guimarães é uma delas. Foi assim quando ajudou a fundar Portugal e continua a sê-lo hoje, num momento em que o país tem de decidir se quer limitar-se a consumir tecnologia ou se ambiciona também criá-la.
É nessa escala que deve ser entendida a instalação, na antiga Fábrica do Alto, em Pevidém, da primeira unidade de produção e teste de satélites óticos em Portugal. Trata-se de um investimento estratégico com impacto local e valor tecnológico. É uma escolha nacional com endereço vimaranense.
A Câmara Municipal que lidero assumiu com os vimaranenses um compromisso simples e exigente: cumprir e transformar. Cumprir o contrato de confiança estabelecido com as pessoas. Transformar Guimarães num território mais competitivo, mais qualificado, mais coeso e mais preparado para disputar as economias que verdadeiramente contam. Esta unidade é uma das expressões mais claras dessa visão. Estamos a converter património industrial em capacidade tecnológica; a dar a uma antiga fábrica uma função de futuro; a colocar Pevidém e Guimarães num lugar muito relevante na economia do espaço. A Fábrica do Alto traz consigo uma memória de trabalho, indústria e comunidade. Agora, mudamos de escala e abrimos um novo horizonte. Onde antes se produziam bens da economia industrial clássica, vão agora nascer satélites óticos capazes de observar a Terra, gerar dados, apoiar decisões públicas, servir a proteção civil, o ambiente, a agricultura, o ordenamento do território, a segurança e a investigação. A economia do espaço é hoje uma infraestrutura crítica da soberania contemporânea. Quem observa melhor decide melhor. Quem domina tecnologia e inovação depende menos. Por isso, este projeto importa tanto a Guimarães como ao país. Precisamos de indústria qualificada, de ciência aplicada, de empresas integradas em cadeias internacionais e de territórios que recusem a resignação. Precisamos de encarar a inovação como capacidade instalada. O acordo com o CEIIA, no quadro do Guimarães Space Hub e em articulação com a Universidade do Minho, reúne precisamente o que mais conta: formação avançada, investigação aplicada e industrialização.
Para os vimaranenses, esta conquista traduz-se em novas oportunidades para jovens qualificados. Significa atrair empresas, investimento e talento. Significa alargar a base económica do concelho sem negar a sua identidade produtiva. Significa dizer a Guimarães que o futuro não está noutro lugar - está aqui.
Um Município existe também para abrir caminhos. Para criar as condições que permitem a uma comunidade subir de nível. Foi isso que fizemos. Identificámos uma oportunidade, mobilizámos parceiros, tomámos decisões e colocámos Guimarães numa área absolutamente estratégica para Portugal.
O futuro não se anuncia. Conquista-se. E Guimarães está a conquistá-lo.
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