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IndieLisboa: "Barrio Triste" vence Grande Prémio de Longa-Metragem

Homem sorridente segurando troféu num palco, com público a aplaudir ao fundo, em cerimónia de prémios.

"Barrio Triste", de Stillz, foi distinguido com o Grande Prémio de Longa-Metragem do festival IndieLisboa, de acordo com o palmarés divulgado hoje. Já o Grande Prémio de Curta-Metragem foi atribuído a "How to Catch a Butterfly", de Kiriko Mechanicus.

Grande Prémio de Longa-Metragem no IndieLisboa: "Barrio Triste"

Coproduzido pela Colômbia e pelos Estados Unidos, "Barrio Triste" decorre em Medellín, no ano de 1987, e acompanha quatro adolescentes marginalizados que se apoderam de uma câmara de filmar para registarem uma "vida de violência e solidão", conforme indica a sinopse.

Para o júri, o filme oferece uma "visão visceral e implacável de uma comunidade, num momento específico da história de um país".

Esta é a estreia na longa-metragem de Stillz (Matías Vásquez), realizador e fotógrafo norte-americano de origem colombiana. Nascido em Miami há 27 anos, tornou-se conhecido sobretudo através de videoclipes de músicos como Bad Bunny, J Balvin e Rosalía, trabalho que já lhe valeu uma nomeação para os Grammy.

Seleccionado para os festivais de Veneza e Toronto, o filme conta com banda sonora da cantora venezuelana Arca, radicada em Barcelona, e deverá estrear nas salas portuguesas "ainda este ano", segundo a distribuidora Filmin.

O júri do Grande Prémio de Longa-Metragem Cidade de Lisboa integrou o historiador de cinema e programador Karel Och, a realizadora Rachel Daisy Ellis e a artista visual Sara Bichão. Este mesmo júri atribuiu ainda uma menção especial a "Bouchra", primeira longa-metragem de Orian Barki e Meriem Bennani, centrada numa mãe e numa filha afastadas pela distância entre Nova Iorque e Casablanca.

Grande Prémio de Curta-Metragem: "How to Catch a Butterfly"

Na curta-metragem, o prémio principal foi para "How to Catch a Butterfly", de Kiriko Mechanicus, descrito como um "ensaio inquieto e formalmente ousado sobre o que a fetichização realmente produz". A decisão coube ao júri composto pelos cineastas Gonzalo E. Veloso, Patrick Gamble e Raquel André.

O mesmo júri entregou ainda dois "prémios especiais" a "Henry is a Girl Who Likes to Sleep", de Marthe Peters, e a "The Apple Doesn't Fall", de Dean Wei.

Competição Nacional: "Cochena" e restantes prémios

Na Competição Nacional, o prémio de Melhor Longa-Metragem foi atribuído a "Cochena", de Diogo Allen, considerado uma "celebração sentida [...], profundamente humanista e cinematográfica" dos vínculos familiares e sociais. O júri desta secção foi constituído pelos cineastas Aya Koretzky, Feyrouz Serhal e Jaume Claret Muxart.

Além deste reconhecimento, "Cochena" conquistou também o prémio Universidades de Melhor Longa-Metragem.

Ainda na Competição Nacional, "A Providência e a Guitarra", de João Nicolau, foi distinguido como Melhor Realização em Longa-Metragem, enquanto "A Solidão dos Lagartos", de Inês Nunes, recebeu o prémio de Melhor Curta-Metragem.

O prémio Novo Talento foi entregue a "Coroa de Espinhos", de Francisco Moura Relvas, e a menção especial desta categoria distinguiu "XYZ", de Alexandre Alagôa.

Outras secções e prémios paralelos

Na competição Novíssimos, dedicada a novos valores do cinema português, "Abril de Helena", de Maria Moreira e Victor Hugooli, venceu a secção e arrecadou igualmente o prémio Mutim, atribuído pela associação Mulheres Trabalhadoras das Imagens em Movimento. Este galardão distingue a 'curta' da secção "que melhor contribua para um imaginário cinematográfico não estereotipado no cinema português".

Na competição Silvestre, dirigida a "novas linguagens", o prémio de longa-metragem foi atribuído a "My Wife Cries", de Angela Schanelec, e o de curta-metragem a "Lover, Lovers, Loving, Love", de Jodie Mack.

O prémio IndieMusic distinguiu "Para Vivir - El Implacable Tiempo de Pablo Milanés", realizado por Fabien Pisani, filho do fundador da 'nueva trova' cubana.

Entre os prémios não oficiais, foram ainda reconhecidos "Mulheres de Abril", de Raquel Freire (prémio Amnistia Internacional), "P'ra Que Vivam", de Carlos Lima (prémio Árvore da Vida), e "Éramos Só Putos", de João Nunes Monteiro (prémio Escolas para Melhor Filme Novíssimos).

Encerramento e números de público

A 23.ª edição do Festival Internacional de Cinema IndieLisboa começou a 30 de Abril e termina no domingo, com a estreia nacional de "The History of Concrete", de John Wilson. A dois dias do encerramento, a organização indicou que o festival já tinha ultrapassado os 32 mil espectadores, superando os números de 2025.

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