Sabemos o que vai acontecer ao Sol e ao nosso Sistema Solar porque podemos olhar para fora, através da galáxia, e analisar estrelas mais antigas semelhantes ao Sol nas fases finais da sua evolução.
Nada dura para sempre, incluindo o combustível de uma estrela. Mais cedo ou mais tarde, as estrelas esgotam o hidrogénio e deixam a sequência principal. As estrelas com massas parecidas com a do Sol incham primeiro e ficam avermelhadas; depois, libertam as camadas exteriores. É exactamente isso que observamos quando contemplamos estrelas mais velhas do tipo solar.
Mas a história não acaba aí.
A estrela, outrora dominante, passa então a iluminar esses gases e a ionizá-los, dando origem a um dos espectáculos mais impressionantes da natureza: uma nebulosa planetária (NP).
A Nebulosa da Hélice é muito apreciada por astrónomos amadores e astrofotógrafos porque parece um olho gigante - tanto que, por brincadeira, é por vezes chamada de “Olho de Sauron”. A Nebulosa da Hélice é uma das NPs brilhantes mais próximas da Terra. Fica a cerca de 650 anos-luz de distância, na constelação de Aquário.
Muitos leitores do Universe Today reconhecê-la-ão pelo conhecido retrato do Hubble dessa nebulosa deslumbrante. Uma equipa de astrónomos voluntários, chamada Hubble Helix Team, organizou uma campanha de nove órbitas para captar a imagem icónica.
Só que, como sabemos, há um novo “xerife” na cidade: o Telescópio Espacial James Webb.
Aguardámos com grande expectativa que o JWST se tornasse finalmente realidade - não apenas pelo conhecimento cósmico que está a fornecer, mas também porque adoramos imagens de objectos estelares belos.
E embora a imagem da Nebulosa da Hélice captada pelo Hubble tenha, para sempre, um lugar nos nossos corações de observadores do céu, o JWST levou-nos ainda mais para dentro de uma das nossas nebulosas planetárias preferidas.
Um vento estelar poderoso e a radiação da estrela moribunda estão a varrer o gás circundante, proveniente das camadas exteriores que a estrela expulsou. No entanto, no meio desse gás existem nós de material mais denso - e esses resistem ao ataque.
Por vezes são chamados glóbulos e, também, nós cometários, porque lembram cometas a deixar atrás de si trilhos de poeira e vapor enquanto atravessam o espaço. Só conseguimos vê-los nas NPs mais próximas, mas os astrónomos consideram que são uma característica comum.
A Nebulosa da Hélice apresenta cerca de 40 000 nós cometários. O mais incrível é que cada um deles, muito provavelmente, ocupa mais espaço do que o nosso Sistema Solar - se o compararmos até à órbita de Plutão.
Naturalmente, esses sistemas estão longe de ter a mesma massa. A “cabeça” de cada nó é bem iluminada e ionizada pela estrela da nebulosa, enquanto uma cauda de gás menos energizado se estende atrás.
Em termos astronómicos, nebulosas planetárias como a Nebulosa da Hélice têm uma vida curta. Tem cerca de 10 000 a 12 000 anos, o que é relativamente antigo para uma nebulosa planetária. A estrela progenitora começou a libertar as camadas exteriores algures entre há cerca de 15 000 e 20 000 anos.
Nos próximos 10 000 - talvez 20 000 - anos, a Hélice continuará a expandir-se. O gás ficará mais rarefeito e, à medida que a anã branca arrefecer, menos radiação conseguirá iluminar esses gases. A nebulosa tornar-se-á mais ténue e apagada, até deixar de existir. Algures por volta de 50 000 anos após a sua formação, estará dispersa e passará a integrar o meio interestelar.
Este é o destino final do nosso Sol. À medida que se aproximar do fim da sua vida na sequência principal, irá dilatar-se e transformar-se numa gigante vermelha. O Sol, antes amarelo e já convertido num vermelho sombrio, deixará de conseguir manter, através da gravidade, as suas camadas exteriores gasosas.
Essas camadas serão lançadas para o espaço e depois iluminadas pelo remanescente longevo do Sol: uma anã branca. A anã branca será uma brasa estelar em lento apagamento, emitindo apenas calor residual durante milhares de milhões de anos.
A nebulosa e as suas cores simbolizam o último suspiro de uma estrela em morte - uma exalação estelar que espalha “matéria de estrela” pelo cosmos. Esse material pode vir a ser incorporado numa nova ronda de formação estelar.
Parte desse material pode até integrar um ou mais planetas no futuro. Talvez um deles seja rochoso e tenha água líquida. E, quem sabe, algures no futuro, uma parte dessa água venha a repousar numa pequena lagoa morninha à superfície desse novo mundo.
Será uma sopa primordial rica em química prebiótica, banhada por luz UV da sua estrela…
Este artigo foi originalmente publicado no Universe Today. Leia o artigo original.
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